O dicionário Michaelis define o substantivo “cultura” como “conjunto de conhecimentos, costumes, crenças, padrões de comportamento, adquiridos e transmitidos socialmente, que caracterizam um grupo social”.  Partindo dessa definição, fica bem mais fácil compreender o que é a cultura organizacional.

Este termo representa os valores morais e éticos, os objetivos, hábitos e tradições que compõem uma organização, uma vez que toda empresa é composta por pessoas – colaboradores – que a fazem funcionar e essas pessoas, inevitavelmente, vivem uma cultura. 

Vamos entender um pouquinho mais sobre isso? 

Por que olhar para a cultura é importante? 

Vamos pensar em um exemplo:  

Você é o gerente de uma empresa e precisa contratar um novo funcionário. Tanto você quanto seus superiores valorizam características como honestidade, proatividade e responsabilidade, ou seja, no momento na contratação, será priorizado o candidato que melhor atender a essas expectativas. 

Por outro lado, pode ser que em uma outra empresa exista um gerente que valoriza esses mesmos pontos, enquanto seus superiores, ao contrário, preferem velocidade e mão de obra barata. Durante a contratação, haverá um grande momento de confusão sobre qual é a melhor opção, considerando que nem o líder nem seus superiores sabem quais características priorizar. 

Ou seja, nesse caso, cada membro da equipe possui suas próprias prioridades, valores e visão sobre a empresa e, consequentemente, nos momentos principais, nos pontos de tomada de decisão ocorrerão estes choques e divergências. 

Com base nesse exemplo, chegamos a alguns pontos relevantes que ressaltam a importância do estabelecimento de uma cultura organizacional clara e alinhada entre todos os colaboradores. 

Tomada de decisão

Esse é um pilar importantíssimo da cultura: a tomada de decisão. Quando os líderes e gestores entendem aquilo que é importante para a empresa, todas as decisões ficam um pouco mais fáceis de serem tomadas, já que são os valores da organização que irão orientar cada atividade, cada relatório, cada contratação e assim por diante. 

Equipe alinhada e qualificada

Além disso, a cultura também contribui para a construção de uma equipe qualificada e alinhada, o que também é possível visualizar no exemplo anterior. Com uma cultura bem estruturada, é mais fácil montar um time que realmente possa suprir as necessidades da empresa.

Consequentemente, isso também diminui as chances de insatisfação por parte dos colaboradores, uma vez que estes já saberão quais são as expectativas por parte da empresa, os objetivos e os valores – isso influencia diretamente na rotatividade (turnover) e auxilia na retenção de talentos. 

Um levantamento feito pela Washington State University, por exemplo, revelou que as empresas com cultura mais fraca possuem uma taxa de rotatividade de funcionários de 48,4%, enquanto o contrário possui uma taxa de apenas 13.9$. 

E quando você tem trabalhadores satisfeitos, você tem defensores da sua marca. Eles irão indicar para os conhecidos, compartilhar nas redes sociais e se dedicar ao máximo para que tudo dê certo. 

Ainda falando de pessoas, a cultura permite ajudar a melhorar o clima e a harmonia entre os colaboradores, trazendo sinergia entre eles, pois acaba evitando alguns atritos – fica mais fácil para todos compreender qual postura devem adotar em prol do melhor para a organização, pessoas e resultados. 

Percepção de marca

Todos esses elementos também permitem que a sua marca ganhe relevância e credibilidade no mercado. Ou seja, isso tornará a sua organização mais interessante para profissionais experientes e qualificados, investidores e até mesmo possíveis parceiros de negócio, justamente por sua preocupação com sua equipe e seus valores. Além disso, todos nós preferimos fazer negócios com pessoas e empresas com as quais nos identificamos.

Como disse uma vez um amigo meu: “Antes de firmar uma sociedade, pergunte para o seu futuro sócio qual a definição dele para honestidade. Se a resposte dele for diferente da sua, repense sobre este caminho”.  

Mesmo com tudo isso, talvez você ainda esteja com algumas dúvidas práticas sobre o assunto. Abaixo temos o exemplo de três empresas com relevância internacional e que possuem uma cultura tão forte que ultrapassa as suas fronteiras, fazendo com que até seus clientes se identifiquem. 

Netflix

Reed Hastings, por exemplo, é CEO da Netflix e lançou um livro chamado “A Regra É Não Ter Regras: Netflix E A Cultura da Reinvenção”, em que fala sobre a cultura da empresa e como ela impactou na criatividade e inovação.

Hoje, entre profissionais de tecnologia, comunicação e audiovisual, é muito fácil encontrar alguns que gostariam de trabalhar num lugar como esse – justamente por sua imagem positiva no âmbito de recursos humanos e gestão de pessoas. 

Google

Uma das maiores empresas de tecnologia do mundo vem investido muito nesse quesito e chegou a criar um programa para desenvolver características como criatividade, harmonização e estruturação, que logo lançaram um índice documentando 37% de funcionários mais felizes. 

Spotify

Uma das maiores empresas do segmento, o Spotify é um app de conteúdo em áudio e utiliza um modelo conhecido popularmente como “Spotify squads” para organizar suas equipes. 

Esse modelo consiste basicamente em montar equipes pequenas, de até 8 pessoas, nas quais todos possuem responsabilidades. Isso faz com que as equipes se tornem independentes, de certa forma, já que todos ali dentro possuem autonomia para tomar decisões. 

E como isso funciona? A cultura de nenhum dos squads é maior do que a cultura do Spotify. Todos têm como missão, a mesma missão da empresa. Se não fosse por isso, seria praticamente impossível garantir que todas as equipes agissem com base em um único propósito, justamente porque elas não iriam saber qual é. 

Disney

Na pesquisa da Universidade de Washington previamente mencionada, também é mostrado o exemplo dos parques temáticos da Disney, cujo lema é transformar sonhos em realidade. É por isso que os colaboradores são treinados para proporcionar a experiência mais mágica possível para os turistas, e tratá-los como se fossem parte da realeza.  

O exemplo trazido no estudo foi de quando uma garotinha perdeu sua boneca no parque. Os funcionários, quando encontraram a boneca, lavaram seu cabelo e trocaram seu vestidinho, fazendo também um álbum de fotos com as aventuras que ela viveu durante o tempo que ficou longe de sua dona. 

Eles poderiam ter simplesmente devolvido a boneca, mas criaram toda uma experiência ao redor disso, uma experiência que está alinhada com o propósito da empresa. Isso com certeza dar ao cliente uma memória que ele nunca vai esquecer e o deixará ainda mais próximo mais da sua instituição. 

 

Se você já entendeu o que é cultura organizacional e como olhar para ela de forma estratégica pode ser diferencial para a sua empresa, que tal desenvolver a sua própria e entender como torná-la ainda mais forte e conectada com seus colaboradores? A Move42 pode te ajudar. Fale com nossos consultores e saiba como. 

 

Sobre o Autor:

”César César Augusto Pessôa é Empreendedor por opção (Empretec), Especialista em Gestão de Projetos (PMI) e apaixonado por Metodologias Ágeis e Inovação (MBI pela UFSCar).

Instagram: @cesaraugustopessoa

 

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