O crescimento das startups

As startups – empresas jovens, tecnológicas, inovadoras, escaláveis e com grande potencial de crescimento – estão dominando o mercado. Só em 2021, o investimento que elas receberam foi superior a US$ 600 milhões, o que representa um crescimento de 111%, de acordo com o relatório “State of Venture” da CB Insights. Além disso, só no Brasil já são 21 unicórnios – startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão – quantidade que coloca o país entre os 10 do mundo com maior número de unicórnios. 

Pensando nisso e na necessidade de estar em constante movimento – conforme mencionamos no artigo anterior – decidimos trazer algumas dicas para quem tem uma ideia inovadora e deseja começar a sua própria startup em 2022. 

Fases de uma startup

Antes de tudo precisamos conhecer as principais fases pelas quais uma startup passa ao longo de sua história. 

Fases de uma startup
Fases de uma startup

Como apresentado acima, temos quatro fases principais: ideação, operação, tração e escala. 

De forma resumida, a ideação é o momento de criação, desenvolvimento, validação da ideia e do modelo de negócio. É a primeira fase de uma startup, talvez até mesmo antes de podermos chamá-la de startup. Geralmente é precedido pela curiosidade e por perguntas do tipo: “Será que existe alguma solução para isso?”, “Será que ninguém mais passa por essa situação?”, “Será que isso é uma dor que merece minha atenção?”, “E se eu…?” 

Já a operação representa a hora de colocar sua empresa no mercado, saindo do treino e entrando no jogo! Aqui o seu MVP (Minimum Value Product) – continue lendo para saber mais sobre ele – já foi validado, então você começa a aumentar a sua base de clientes pagantes e até mesmo procurar investidores. O foco aqui é provar que o seu negócio é sustentável e consegue se manter de pé. 

A tração, como o próprio nome diz, é a fase para impulsionar a sua startup no mercado, expandindo-a com força e velocidade, conquistando seu espaço e apostando no investimento em marketing e propaganda para construir sua marca. É nesse momento que você precisa apostar na escalabilidade do negócio – aumentando a capacidade produtiva sem aumentar os custos na mesma proporção. É aqui que os investidores costumam identificar os possíveis unicórnios.

🕹️ Dica da Move: se você entrou na fase de tração, mas seu modelo de negócio ainda é 1 para 1, ou seja, para cada novo cliente ou contrato o seu custo operacional aumenta de forma equivalente, o ideal é que você reveja o seu modelo para enxugá-lo de alguma forma. Lembre-se de que agora o seu negócio já provou seu valor, você pode negociar melhores condições com seus fornecedores ou buscar novos, rever os processos com sua equipe, verificar a possibilidades de parcerias com outras startups ou até mesmo procurar outros empreendedores mais experientes para pedir dicas. Não tenha vergonha de perguntar ou pedir ajuda, nessa etapa você pode inclusive envolver uma consultoria para apoiá-lo. Ter alguém com mais experiência pode ser essencial para que você avance de nível. 

Por fim, temos a escala: a fase mais esperada de todo empreendedor. As startups são marcadas por um crescimento exponencial, principalmente em seus primeiros anos de existência. E para que isso aconteça, é preciso ter um modelo de negócios bem estruturado, mas não se preocupe em acertar de primeira. Além disso, uma das principais características de uma startup é também a sua flexibilidade, então como dizemos aqui na Move: “É por isso que usamos post-its, tudo pode mudar e isso é natural.” 

E agora vamos às principais dicas para começar a sua startup! 

#1 Crie um modelo de negócio 

Se você já tem uma ideia, o exercício de colocá-la no papel pode ajudar muito na validação dos primeiros pontos ou criar novas dúvidas que precisarão ser respondidas antes de você realmente começar a investir mais tempo e dinheiro. Uma ferramenta que pode lhe ajudar é Canvas de Modelo de Negócio (Business Model Canvas), que possui uma estrutura intuitiva e, por já ser amplamente utilizado, comunica-se muito bem com a maioria dos públicos, o que facilita a colaboração e validação em campo – falaremos mais sobre esse assunto mais para a frente.  

Na etapa de construção do modelo de negócio, você deve definir a fonte de receita da sua startup, como você irá oferecer seu produto/serviço para os consumidores, quem serão seus fornecedores, quais serão os processos envolvidos nisso tudo e, principalmente, quais os pontos fortes e fracos do seu negócio. Dessa forma, é possível ter uma visão geral de como tudo irá funcionar e de por onde você deve começar. 

Os 3 principais tipos de modelo de negócio são: 

B2B: Business to Business. São empresas que vendem para outras empresas. Se a sua startup vende um software de gestão de tarefas, por exemplo, seu foco pode ser vender sua solução para outras empresas. 

B2C: Business to Consumer. Neste caso, você vende diretamente para o consumidor final, como uma plataforma de streaming de músicas que está buscando assinantes. 

B2B2C: Business to Business to Consumer. Esse modelo une os dois anteriores em um só, quando você vende tanto para empresas quanto para consumidores finais. Um exemplo bem claro é o dos aplicativos de entrega de comida, que precisam vender sua plataforma tanto para os restaurantes que desejam vender por ela, quanto para os clientes que vão, de fato, pedir a refeição.

🕹️ Dica da Move: Use o Canvas de Modelo de Negócio, como este na imagem abaixo, para organizar as ideias com sua equipe, de forma co-criativa e colaborativa. Caso precise de ajuda, entre em contato com um de nossos especialistas. 

Canvas - Modelo de negócio
Canvas – Modelo de negócio

Neste post do Instagram nós trouxemos mais dicas de como preencher esse modelo. 

Lembre-se: um Canvas de papel (ou digital) e alguns post-its são bem mais baratos do que começar um negócio com alguns “buracos” na estratégia. Não tenha medo, existem diversas formas de se criar um plano de negócios, um próprio texto corrido no Word pode funcionar bem. Este exercício deve fazê-lo pensar de forma estratégia, com menos paixão e mais razão. O Canvas de Modelo de Negócio é uma sugestão, como outras várias que existem e não uma fôrma fixa e rígida. 

#2 Desenvolva um MVP e faça testes 

O MVP é o seu Mínimo Produto Viável, ou seja, mais do que um protótipo e menos do que o seu produto final. Neste momento, você deve desenvolver a versão mais simples e funcional do que deseja entregar para o seu cliente. Caso o seu objetivo, por exemplo, seja desenvolver um aplicativo, crie-o de forma simples, que cumpra sua principal funcionalidade – e, com o tempo, serão entregues outros recursos mais avançados. 

Este passo é essencial, justamente porque a maior parte das startups não começa com uma grande disponibilidade de recursos (pessoas, equipamentos e dinheiro). Sendo assim, desenvolver um MVP permite que você inicie o seu projeto e vá trabalhando em sua evolução, ao invés de desprender muito tempo aperfeiçoando-o antes mesmo de lançá-lo e entender se ele vai funcionar na mão de clientes reais. 

Por isso, aproveite essa versão inicial para fazer testes com pessoas que façam parte do seu público em potencial. Nem sempre aquilo que funciona na nossa cabeça se aplica à vida real, então use seu MVP para validar seu projeto e aperfeiçoá-lo. Lembre-se, também, de mensurar os resultados para que possa compará-los futuramente. 

🕹️ Dica da Move: Nem só de aplicativos são feitas as startups. Existem diversas formas de se inovar nos negócios, como as empresas que estão criando os “Laboratórios de Inovação” ou “Laboratórios de Ideias”. Nestes laboratórios surgem startups que podem inovar com gadgets e ferramentas físicas. O setor agropecuário é um grande exemplo, principalmente pelo número de ferramentas e maquinários que podem ser criados para otimizar o tempo dos produtores. Os próprios relógios inteligentes, assistentes como Alexa, Sid e Cortana, abrem um leque de possibilidades para os chamados smart devices. E ainda nem vamos falar do metaverso, que será tema de um próximo artigo. 

#3 Busque parceiros, apoiadores e investidores

Um bom networking é fundamental para qualquer empreendedor. Ninguém chega a lugar nenhum sozinho, principalmente quando se está começando, então ter bons contatos fará toda a diferença. 

Você pode explorar espaços de coworking, buscar apoio em incubadoras, aceleradoras, universidades e instituições, como o SEBRAE. Esses ambientes permitirão que você não apenas conheça outros que estão no mesmo caminho, mas também profissionais especializados que já possuem muitos anos de mercado e podem auxiliá-lo na construção da sua startup. 

Além disso, esse tipo de exposição é fundamental para quem busca investidores, já que muitos deles ficam de olho em programas desse tipo ou conhecem os responsáveis por organizá-los. 

#4 Coloque a mão na massa 

Já que no mundo BANI tudo está em constante transformação, ficar muito tempo parado pode ser fatal. Apesar de um planejamento concreto e estratégico ser essencial, também é importante desenvolvê-lo de forma rápida, para não perder o timing e ser ultrapassado pelos concorrentes. 

É por isso que, depois de seguir esses passos, você já pode partir para a prática e entrar na fase de operação, lançando seu produto/serviço no mercado. Nesta fase, é importantíssimo ficar atento às métricas, para entender o seu ritmo de crescimento e tomar as melhores decisões para a empresa. 

🕹️ Dica da Move: Erre rápido, aprenda rápido e corrija mais rápido ainda. O que coloca as startups à frente das grandes empresas é justamente essa facilidade de “corrigir o prumo” com rapidez e custo baixo. Pense em uma grande lancha, lado a lado com um transatlântico, quando ambos avistam um iceberg ao mesmo tempo, qual dos dois conseguirá desviar mais rápido e consumir menos combustível nessa manobra? 

 

 

Sobre o Autor:

 

 

”César César Augusto Pessôa é Empreendedor por opção (Empretec), Especialista em Gestão de Projetos (PMI) e apaixonado por Metodologias Ágeis e Inovação (MBI pela UFSCar).

Instagram: @cesaraugustopessoa

 

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