Depois de ter sido anunciado pelo Facebook, o metaverso ganhou ainda mais visibilidade entre as empresas e os investidores. Apesar disso, este conceito já existe há alguns anos e possui algumas implicações. Por isso, separamos aqui um guia completo para você se inteirar do assunto!

O que é?

O metaverso nada mais é do que um universo virtual, que pode ser acessado com recursos específicos, como acessórios de realidade virtual e aumentada. Neste ambiente, as pessoas poderiam criar uma vida inteira, assim como a que vivemos hoje – tendo seu próprio emprego, estudando e desenvolvendo relacionamentos. 

Apesar de só hoje termos as tecnologias capazes de realizá-lo, esse conceito já foi abordado em diversos filmes e livros de ficção científica (mais especificamente cyberpunk), como em 1992 no livro “Snow Crash” de Neal Stephenson. A obra traz um personagem que é entregador de pizzas, mas que no metaverso é um príncipe-samurai que precisa combater um vilão que ameaça toda a existência – em ambos os mundos.  

Nos jogos digitais podemos citar pelo menos dois ícones da cultura pop: The Sims e Second Life. Sendo o Second Life considerado uma das primeiras tentativas de metaverso, já que era uma plataforma com ambiente virtual e avatares que simulavam a vida real, tão real, a ponto de ser possível frequentar uma universidade ou até mesmo uma comunidade religiosa.

Quando foi lançado, foi considerado uma grande inovação que transformaria completamente o mundo e as relações sociais. Durante o seu auge, entre os anos 2005 e 2008, é possível encontrar matérias sobre shows e apresentações ao vivo no Second Life, assim como a utilização da plataforma por instituições governamentais e empresas.

No entanto, essa plataforma de simulação acabou perdendo relevância com o passar do tempo. Alguns especialistas afirmam que isso provavelmente ocorreu porque, na época, não era tão fácil para pessoas comuns realizar transações financeiras pela internet e nem fazer negócios através dela, uma realidade que já não existe mais, graças às criptomoedas – aguarde em breve teremos um artigo sobre isso.

Em 2020 observamos uma pequena retomada devido ao isolamento social, mas a plataforma ainda está longe de atingir os números anteriores. 

🕹️ Dica da Move: caso você tenha dificuldade em entender o conceito de metaverso, assista ao filme ou leia o livro “Jogador Número 1”, que trata diretamente deste assunto. Nele, os personagens vivem numa realidade dominada por um metaverso chamado “Oasis”, onde podem basicamente ser qualquer coisa que quiserem ser – o que acaba, também, causando implicações no mundo real. 

E por que o metaverso não é “tão” novidade assim?

Como mencionamos anteriormente, o cinema já havia previsto diversos formatos muito similares ao que hoje chamamos de metaverso. A própria série Star Trek (que havia previsto, entre outras coisas, os tablets e smartphones) já possuía um equipamento chamado Holodeck que, em minha opinião, é o que mais se assemelha ao metaverso como está sendo proposto hoje.  

Abaixo temos uma lista rápida de filmes que também abordaram essa temática de alguma forma: 

  1. Vamos começar por 1982 quando foi lançado o filme TRON – Uma odisseia eletrônica (que, inclusive, recebeu uma nova roupagem e continuação em 2010 com TRON – O Legado). Neste filme, temos claramente uma introdução ao que seria uma “imersão virtual” em um universo onde seria possível termos experiências físicas vívidas e, quem sabe, até a morte. O enredo conta a história de um programador de jogos que decide “entrar” em um mundo virtual para se vingar se seu colega de trabalho que roubou sua ideia e lá precisa enfrentar diversos desafios e se adaptar a este mundo onde não existem as limitações físicas conhecidas por nós.  
  2. Em 1998 surge Matrix, um grande sucesso que já traz consigo a possibilidade de vivermos uma vida inteira conectados a nossos “avatares virtuais”, em um mundo que não possuía limitações, já que, toda limitação vem apenas de nossa mente que ainda carrega ilusões do mundo físico. 
  3. Em 1999 temos 13º Andar, que traz uma temática similar a Matrix, onde um programador é acusado de matar seu melhor amigo e sócio, com o qual está desenvolvendo um projeto de realidade virtual em um mundo simulado e, para provar sua inocência, precisa “entrar” nesse mundo virtual. 
  4. Em 2009 temos o lançamento do filme Surrogates (“Os Substitutos” no Brasil), um de meus favoritos, que traz justamente essa temática onde as pessoas vivem hiper conectadas a um universo onde são lindas, perfeitas e imortais (com quase superpoderes) – ao ponto de não se reconhecerem quando não estão conectados. Esse filme vale muito a pena por esta reflexão dos impactos sociais da vida 100% conectada. 
  5. No mesmo ano de 2009 temos Avatar, que também traz uma versão onde os personagens conseguem se conectar por meio de um computador a um corpo físico e desfrutar dos 5 sentidos em um outro planeta físico.  

Para encerrarmos esse tópico, quero deixar claro que não estou desmerecendo tudo que vem surgindo, entretanto, por ser um grande fã de sci-fi, preciso respeitar os roteiristas que, para não dizer previram, ao menos idealizaram e inspiraram as primeiras versões do que nós hoje chamamos de metaverso. 

Como funciona o metaverso na prática

O metaverso não é uma plataforma única, como muitos erroneamente acreditam. Na verdade, este conceito representa toda mudança na nossa forma de interação com a sociedade e aquilo ao nosso redor. Ou seja, quando empresas, como o Facebook, anunciam que irão investir nessa tecnologia, não significa que serão proprietárias dela e que haverá uma única plataforma de acesso, mas sim que irão adaptá-la em suas ferramentas e produtos.

O mesmo vale para todas as outras empresas que aderirem a este formato. Por exemplo: ferramentas de chamada de vídeo poderão dar um passo à frente e utilizar a realidade virtual para que as conversas e reuniões se tornem “presenciais”. 

Graças às tecnologias disponíveis hoje, também seria possível realizar negócios e transações comerciais dentro do metaverso, o que significa que uma empresa poderá existir somente dentro do metaverso, gerando dinheiro apenas por lá, comercializando as mesmas coisas que fazemos na “vida real”.

Em um futuro não tão distante, será cada vez mais comum as pessoas possuírem e, inclusive, monetizarem de diversas formas seus bens virtuais. A empresa Nike, por exemplo, já lançou alguns tênis 100% virtuais para serem utilizados de forma exclusiva apenas no metaverso ou redes sociais. 

Tudo isso poderia acabar de vez com as barreiras geográficas, permitir novas formas de renda, de estudo, de cuidados com a saúde e novos relacionamentos. Mas se essa tecnologia é tão boa, por que tantas pessoas ainda se opõem à ideia? 

Os dois lados da moeda

Como mencionamos anteriormente, o metaverso traz consigo diversas possibilidades e oportunidades, principalmente para aqueles que querem utilizá-lo para os negócios. No caso da Move42, por exemplo, seria possível fazer uma consultoria presencial na sede de uma empresa, sem que o consultor ao menos tivesse que sair de casa.

Para uma imobiliária ou empresa de arquitetura, seria possível visitar um imóvel que ainda está na planta, testar várias decorações e até mesmo se sentar em uma mesa de jantar virtual com seus clientes em seu futuro imóvel. Isso sem contar que, todas as reuniões que hoje são feitas por chamada de vídeo, poderiam se tornar presenciais dentro do metaverso!

Isso se encaixa também para instituições de ensino, treinamentos, workshops, palestras e muito mais. Praticamente tudo pode ser transformado e adaptado. Para a ciência as possibilidades são ainda maiores: imagine realizar de forma virtual todos os experimentos de alta periculosidade ou que hoje precisam de ambientes extremamente estéreis. 

Mas apesar disso, existem as implicações. Um novo “universo” nos leva ao surgimento de novos dilemas éticos e morais, como: qual é o limite entre a vida real e a tecnologia? Como ficaria a questão dos crimes virtuais? Eles ainda seriam considerados virtuais? E a privacidade e proteção dos dados? Como seria feito o controle disso? Como a segurança dos indivíduos seria garantida dentro e fora do metaverso?

Ou até mesmo, se hoje já existem inteligências artificiais que podem simular frases e comportamentos humanos, existiria uma forma de vida “eterna” no metaverso? Poderia eu continuar convivendo com pessoas ou até mesmo conversar com celebridades já falecidas? Existindo tantas possiblidades, alguém ainda viveria no mundo real? E como seria a vida de quem não possui acesso a esta tecnologia quando a maioria da população estiver “conectada”? Enfim… Uma infinidade de questões ainda precisam ser avaliadas e outra infinidade ainda irá surgir. 

Como dito acima, um dos pontos mais relevantes é o acesso. Para utilizar esse novo recurso ainda são necessárias muitas ferramentas (gadgets) – como é o caso dos óculos de realidade virtual ou smartfones com processadores mais robustos e com tecnologia que permitam a visualização de elementos em realidade aumentada – o que pode encarecer muito o custo do “ingresso” para este novo mundo, pelo menos nos primeiros anos – mas nada que não possa ser abrasileirado com um Google Cardboard. 

Outro ponto de atenção é o já conhecido excesso de contato com a tecnologia e a consequente redução do tempo offline das pessoas. Atualmente, o vício em tecnologia é um problema real e que, inclusive, que já vem sendo estudado cientificamente. Se com os recursos que possuímos hoje já existe um grande problema, imagine com um universo novo, completamente imersível, mutável e infinitas possibilidades?

Chellis Glendinning, formada em Ciências Sociais na Universidade da Califórnia e PhD em Psicologia pela Columbia Pacific University, afirmou em seu artigo: “Enquanto psicóloga, eu comparo a consciência pública atual dos impactos da tecnologia à compreensão que as pessoas tinham do alcoolismo na década de 1950. Naquela época, todo mundo bebia. Beber era mais do que socialmente aceitável; era exigido. O Alcoólicos Anônimos já existia há 20 anos e estava crescendo, mas seus membros ainda consideravam um constrangimento pertencer a essa comunidade. Nos últimos 40 anos, ocorreu uma revolução muito importante em nossa consciência do potencial destrutivo do alcoolismo. Eu vejo uma necessidade similar na próxima década de se repensar uma outra dependência perigosa: nosso vício em tecnologia” (Ecopsychology: Restoring the Earth, Healing the Mind, 1995. Tradução: Roberto Seimetz, 2015).  

Essas e outras questões devem ser levadas em consideração e nos fazer refletir sobre estarmos, de fato, preparados para uma transformação tão significativa. Entendendo que estar preparado significa aproveitar as oportunidades que sim, existirão e serão muitas, mas também se proteger adequadamente dos riscos envolvidos.  

Existem, portanto, muitas possiblidades para os negócios. Hoje mesmo, um de nossos clientes compartilhou que a área de Gestão de Pessoas já está planejando a migração de seu processo de onboarding para ser 100% virtual, ou seja, mesmo remotamente os novos colaboradores poderão conhecer o espaço físico de sua empresa e criar, assim, o mesmo vínculo “presencial”, tendo acesso às mesmas ações de endomarketing que os demais colaboradores e, consequentemente, sanando um dos pontos de atenção que mais tem sido discutidos após a difusão do modelo híbrido – a integração e vínculo emocional dos colaboradores à sua empresa. 

Outra opção é a negociação de espaços e imóveis virtuais. Sendo o metaverso um espaço infinito e ilimitado, uma pessoa com condições poderia ter “dentro de sua sala” o seu próprio museu do Louvre, por exemplo. Ou possuir um chalé de frente para a praia de Copacabana (vazia) para desfrutar suas férias. Já existem empresas se especializando na criação destes espaços e, no futuro, você poderá comprá-los ou alugá-los por um período determinado. 

E para onde estamos caminhando? 

Seria o metaverso uma solução ou apenas mais um dos tantos problemas que a vida moderna nos trouxe? Sabemos que este discurso é comum, sempre que surge uma nova tecnologia existe essa polarização e, ainda, aqueles que dizem “No meu tempo não era assim”. O fato é que o metaverso está cada vez mais próximo de nós e veio para ficar, mesmo que precise de ajustes ou adaptações.

Apenas o tempo dirá, então, qual será o desfecho dessa história. Por hora, é sempre bom acompanhar esta e outra novidades que estão surgindo e, quando possível, usá-las a nosso favor. Como já diz a sábia: “A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.
 

Sobre o Autor:

 

 

”César César Augusto Pessôa é Empreendedor por opção (Empretec), Especialista em Gestão de Projetos (PMI) e apaixonado por Metodologias Ágeis e Inovação (MBI pela UFSCar).

Instagram: @cesaraugustopessoa

 

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