Nenhum herói nasce do zero. Até mesmo o Homem Aranha, um dos mais populares do universo Marvel, precisou de todo um processo para poder entender seus poderes, o que poderia fazer com eles e quais eram as responsabilidades que vinham junto, até chegar ao ponto de ser o grande defensor de Nova York nos quadrinhos. 

O mesmo acontece com uma startup: não dá pra simplesmente chegar com uma ideia e achar que sua força de vontade será o suficiente para vender um produto ou serviço. E é justamente por isso que existe o caminho “Zero to Hero” (de zero a herói, em tradução livre), que vamos conhecer neste post – com uma boa ajudinha do nosso super-herói favorito. Mas antes…

De onde vem o Zero to Hero? 

Essa metodologia vem, principalmente, dos Startup Weekends – que são eventos realizados por uma organização com objetivo de promover experiências relacionadas a empreendedorismo, inovação e tecnologia. 

Nesse tipo de evento, que conta com mentores, geralmente os participantes precisam criar uma startup e desenvolver todo seu modelo de negócio, validar ideias e apresentar soluções, como parte do processo de imersão e aprendizagem. E como o SW acontece em apenas um final de semana, é necessário um caminho muito bem definido para que tudo isso aconteça em pouco tempo e de forma organizada. 

É por isso que o Zero to Hero se tornou tão relevante: ele permite traçar toda a linha entre o ponto zero e o lançamento de um produto ou serviço no mercado. E agora vamos voltar ao nosso universo de heróis e entender melhor como isso tudo funciona? 

O caminho do herói 

#1 Ideia 

Para facilitar o entendimento, vamos seguir com a analogia do Homem Aranha. Peter Parker era apenas mais um garoto normal e tímido do ensino médio, até ser, inesperadamente, mordido por uma aranha radioativa – foi nesse momento que algo mudou.  

Assim é o primeiro passo do caminho Zero to Hero: de repente, uma lâmpada se acende e uma ideia surge, transformando aquilo que antes era normal. É claro que uma ideia é apenas uma ideia até ser propriamente desenvolvida, mas mesmo assim ela representa o ponto de partida da nossa startup. 

#2 Problema 

Depois disso, quando Peter entende o que está acontecendo com seu corpo, ele percebe que existe um potencial ali: que seus poderes podem ser usados para ajudar as pessoas. Esse é o segundo passo do nosso herói: encontrar se realmente vai existir um problema a ser resolvido com aquela ideia que surgiu e qual será ele. 

Aqui, é importante ressaltar que o problema não surge do nada. Parker não acordou um dia e decidiu sair ajudando os outros simplesmente porque achou legal. Ele percebia, em seu dia a dia numa cidade grande e caótica, que existiam transtornos e dificuldades ali.  

Por isso, quando for validar o problema que sua startup vai resolver, certifique-se de pesquisar tudo que o envolve, para garantir que ele é real e validá-lo. 

#3 Solução 

Após esse momento, em que nosso bom amigo da vizinhança entende o problema, ele precisa de uma solução. Não basta chegar no vilão e esperar a mágica acontecer. Ele precisa entender COMO vai derrotá-lo, quais serão as táticas e ferramentas que vai precisar. 

E é exatamente esse o próximo passo da jornada: encontrar a solução para a dificuldade que foi levantada e validá-la. Qual solução sua startup vai oferecer? Como ela irá ajudar as pessoas? As pessoas realmente buscariam e comprariam uma solução como essa? Quem são as pessoas que serão ajudadas? 

Nesse caso, inclusive no SW, é possível ter a ajuda de um mentor, que irá orientá-lo no processo, tirando dúvidas e facilitando o caminho. 

#4 MVP – O protótipo 

Partindo para o próximo passo, quando tudo isso já está definido, é hora de colocar a mão na massa e preparar o traje de super-herói, treinar e se preparar para enfrentar o vilão. E não é necessário, nesse primeiro momento, ser nada superequipado – como aquele traje super tecnológico que o Homem Aranha do Tom Holland ganhou do Homem de Ferro. Só precisa cumprir a sua função. 

É aí que entra o MVP. Se sua ideia, problema e solução já foram validados, é hora de partir para a ação e começar a produzir. Isso significa lançar uma versão mais simples (desde que funcional) do seu produto e começar a testá-lo na prática: dentro do próprio mercado. 

Dessa forma, você não apenas terá seu produto validado mais uma vez, como também receberá feedbacks e orientações valiosas, que podem levar a insights muito relevantes.

#5 Pitch 

Finalmente, depois de todo esse caminho, chegou o grande momento da luta final. A mocinha e os cidadãos estão observando enquanto o Homem Aranha derrota um poderoso vilão e se consolida como o grande herói Nova York. 

Esse é o momento de lançar a pitch: apresentar a sua solução para investidores e/ou grandes empresários e inseri-la de vez no mercado, com possibilidade de receber apoio financeiro e crescer ainda mais. 

Depois disso vem o grande momento de herói, em que a startup vai se consolidando no mercado e tornando-se referência no seu segmento. 

Por que preciso entender isso? 

Como foi dito muito sabiamente pelo tio Ben, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Ou seja, criar e desenvolver uma empresa não é fácil – pergunte a qualquer empreendedor do mundo. Envolve muitas variáveis, decisões difíceis e, é claro, responsabilidades.  

O caminho do Zero to Hero é uma ótima solução para esses casos. Ele ajuda a manter o foco no processo e, principalmente, a visualizar os próximos passos. Dessa forma, é mais fácil fazer a estruturação da startup sem se perder pelo caminho.  

Além disso, seguir essa jornada também facilita manter o objetivo claro e sempre em mente, permitindo também que os ajustes necessários sejam feitos ao longo do caminho. 

Pontos principais 

Nem sempre será possível seguir esse caminho de maneira linear. Às vezes, o momento de entender o problema e a solução acontece ao mesmo tempo, ou o produto é apresentado para os investidores quando ainda está na fase de MVP. Em alguns casos, é até melhor ter mais flexibilidade ao percorrer essa jornada, pois possibilita entender melhor alguns processos e necessidades. 

No entanto, existem os três pontos principais que são as maiores lições que o Zero to Hero nos ensina: organização, pesquisa e validação. 

Mesmo que sejam necessárias algumas mudanças ao longo do caminho, seguir e manter os três sempre juntos é fundamental para o sucesso de qualquer novo empreendimento. 

Aplicação 

E como são muitas fases, existem os Canvas do Zero To Hero, que são feitos justamente para facilitar a orientação de toda essa jornada. Aqui na Move42, nós usamos também usamos um quando prestamos uma consultoria, como no modelo abaixo. 

 

Canva Zero To Hero 

Ter uma equipe especializada orientando tanto no processo de uso dessa metodologia quanto no período de estruturação de uma nova empresa é fundamental. A Supernova Comunicação, por exemplo, é uma agência de publicidade que está surgindo no mercado e já conta com o apoio da Move42 para estabelecer modelo de negócio, persona e planejamento estratégico. 

 

Sobre o Autor:

”César César Augusto Pessôa é Empreendedor por opção (Empretec), Especialista em Gestão de Projetos (PMI) e apaixonado por Metodologias Ágeis e Inovação (MBI pela UFSCar).

Instagram: @cesaraugustopessoa

 

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